Endocrinologia do Envelhecimento

Endocrinologia do Envelhecimento

por Dr. Fernando Almeida

ENDOCRINOLOGIA DO ENVELHECIMENTO

Menopausa e Andropausa

Na maioria das mulheres, esse período de declínio de estrogênios é acompanhado por reações vasos-motor, alterações no temperamento, e mudanças na composição da pele e do corpo (aumento da gordura corporal e diminuição da massa muscular). Nos anos subseqüentes, a perda de estrógeno é seguida por uma alta incidência de doenças cardiovasculares, perda de massa óssea e falhas no sistema cognitivo. A idade média da menopausa (51,4 anos) não mudou com o tempo e aparenta ser fortemente determinada por fatores genéticos. Com o aumento da expectativa de vida, o tempo que a mulher passa na menopausa abrange mais de um terço de sua vida.

A reposição hormonal de estrógenos combinados com progesterona é muito beneficente na Menopausa. Com atenuação das ondas de calor e mudanças no temperamento, diminuição da atrofia na pele e dos problemas no aparelho reprodutivo (como, por exemplo, a falta de lubrificação vaginal e a incontinência urinária), a terapia de reposição de estrógeno/progesterona também atrasa a arteriosclerose, a perda de massa óssea e a perda das funções cognitivas. Aparentemente, a reposição de estrógeno/progesterona não influencia na expectativa de vida, mas a arteriosclerose e a perda óssea são consideravelmente adiadas. Uma observação excitante, nas mulheres submetidas à reposição hormonal, foi um visível atraso no princípio do mal de Alzheimer. O mecanismo desses efeitos do estrógeno num cérebro envelhecido é, no momento, especulativo.

Apesar disso, há também importantes efeitos negativos na terapia de reposição hormonal prolongada de estrógeno/progesterona durante a menopausa. O problema mais convincente é o aumento da incidência de câncer de mama. Existem poucos dados disponíveis de mamogramas anuais em pacientes com câncer de mama durante ou após terapia de reposição hormonal. Outro efeito de longo prazo desse tratamento é a inconveniência de menstruação irregular. No momento, a decisão de se iniciar um tratamento de reposição hormonal na menopausa deve ser baseada no fator de risco individual, na postura em relação ao tratamento e na consciência de seus riscos e benefícios. Conhecimento e educação influenciam essa decisão; um recente estudo na Suécia mostrou que, apenas 24% das mulheres com 54 anos estavam em uma terapia de reposição hormonal de estrógeno/progesterona, sendo que 72% dessas mulheres eram clínicas-gerais e 88% eram ginecologistas.

Adrenopausa

O nível de DHEA-S circulando em adultos saudáveis é 10 vezes maior que a quantidade de cortisol. Estudos em roedores, que possuem baixo nível de circulação de DHEA-S, sugerem que a administração de DHEA previne obesidade, diabetes mellitus, câncer e doenças do coração enquanto melhora as funções imunológicas.

Esses resultados sugerem que DHEA prolonga a expectativa de vida e pode ser um "elixir da juventude". Dados que apóiam esses resultados em humanos ainda são poucos e controversos. O aumento do nível de DHEA-S é acompanhado por uma modesta redução no risco de morte por doenças cardiovasculares. Parâmetros funcionais de atividade no dia-a-dia de um homem depois dos 60 anos são mais baixos com os níveis mais baixos de DHEA-S. Nos 30 anos, o nível de DHEA-S é aproximadamente 5 vezes maior do que com 85 anos de idade.

DHEA-S é o precursor universal da formação dos esteróides androgênicos e estrogênicos no tecido periférico, que contém um número de enzimas DHEA-metabolizante.

Só o Futuro e as pesquisas médicas poderão nos indicar a real utilidade de sua complementação.